sábado, 22 de janeiro de 2011

torrões auriverdes

Eis que fui ter comigo e me apercebi aos torrões d'aço sorrateiramente postos aos meus pulsos, como quem, em delírio, roga favores na turva desconhecida, por comedimento ou moralidade.
No entanto, quando me ative em mim mais que nada, notei outro torrão, que outrora até me foi leve mas que hoje me retém pressão atmosférica de uns cinco céus em aleivosia, com pecados públicos, e oceanos densos e negros acondicionados em barris impudicos: uma tal de responsabilidade.
Mas eu não pedi nem pra nascer!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

kitsche no amor e a estética pra pobre ou para o novo-rico

Sem você meu amor, eu não sou muita coisa
Sem você, meu amor, eu não sou ninguém.

Que frio que me dá o encontro desse olhar
O encontro da luz dos seus olhos com os olhos seus, dantes meus.

Que frio que me dá o desencontro do pensar
Que devaneio será que vai pelas tantas milhas da sua mente?
E que dá semente frutificará?
E que da resolução me enlaçará, por anos tantos que te dou também meu tempo.


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

no quê tropeço e no esse ataco

Que desacata a gente, que é revelia.
Que à revelia nos julga, e nós na surdez a catar
Catar num copo de bebida vida vazia, turva rebeldia

Donde desfecha e desfila, rebelde desconhecida?!
Donde se fecha e revida, vivaz quão descomedida?!

Eis que feliz se faz e esmorece cá no poema-pílula
A antes irresoluta e trôpega alma, que em derredor
Se encontrou decidida, categórica e necessária.

descompassada gira a terra

sada a terra gira descompas
ssada a terra gira descompa
assada a terra gira descomp
passada a terra gira descom
mpassada a terra gira desco
ompassada a terra gira desc
compassada a terra gira des
scompassada a terra gira de
escompassada a terra gira d
descompassada gira a terra.

tempo-espaço e certeza

Que dos dogmáticos só terá minha esperança,
Que dogmáticos! Sem nuanças, sutilezas.
Que dogmáticos? Que dos dogmáticos?

A crença na possibilidade da certeza,
Que vela campos monocromáticos...
"Campos da miudeza", ladra a cria
[cheia de destreza
E ruís agora vós, que dantes sorria: fostes pássaro, cotovia
[fostes cria.

domingo, 2 de janeiro de 2011

a cadeira nas versos de vento, sobre estrutura que balouça


A cadeira o é porque é importante assim para a transcendência.
Marcho sobre sua forma, como qual o alpinista escala sua ama linda, redonda [colina]
Minha cadeira só não redunda: suas curvas eu domo, suas curvas não se sobressaem.

Atravesso tão longo a cadeira como contrário é o tempo e espaço dos meus versos bárbaros.
Mas a verdade é que não amo minha cadeira como ama o alpinista a sua ama.
E por menos redonda que seja a cadeira minha, diferente da ama do alpinista que não rechupa,
Redundo-me nos sentidos que se esgotam não tal qual a do alpinista ama.

Transcendência?

A cadeira o é porque é importante assim para me elevar a um patamar sublime,
No meu desejo, sublime de fato.
Se cogito, abstraio. A quem?
- Há cadeira para abstrair.
Se cogito, abstraio. A quem? Ei-lá cá: a cadeira.

Abstraio a cadeira pela essência, que não a essência de Sartre e Heidegger, ou Beauvoir,
Mas a essência que me revela a 'unidade' da existência do meu objeto de análise.
Toda descrição supracitada é secundária e varia de cadeira para cadeira, ou ama [colina].

Eureka! A cadeira me transcende pois serve para sentar. Captei.