sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

[...] máxime a imagem













legenda: bola de basquete e conjunto capotão + bota de vaqueta.

tin-tin-tum [...] tiss

Os limites do meu mundo não são os limites da minha linguagem. Meu mundo sou eu

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

à la Allen

Relacionamentos amorosos são psicóticos.

- Já que é o responsável, por que não os interna?
- Na verdade pensam ser galinhas.
- Por que não os interna?
- Preciso dos ovos.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

assassinato da mulher amada (vestido à Godard)

Sentado aqui, sem meu falo - o símbolo
Sob um plano de 1/4,
Lembro de ti e da minha insensatez
Que no azo me irrompeu
E, ainda no ensejo, me fez procrastinar
Sob a pesada paleta

Insensato? Eu te matei, querida.
Ceifei-te a vida ao me atrever a te imbuir minha subjetividade.
Matei-te por pintar seu talhe de sílfide.

Mas me alegro disto agora, ao plano de 3/4
E vejo a obra, já finalizada, a um plongée.
Louvo-me pela destreza.

pá direita

Empresa humana me admira
Admiro-me com a empresa humana.
Temo, no entanto, não ser admitido
Eis que admiro e temo, grande e astuta.

Mas empresa humana investe bem na ...
Investe em ações mágicas e invisíveis
Indizíveis e irresolutas
Que minguam como a escansão.

Donde se vê, empresa humana
Comporta labuta valente
Labuta da gente.

Aquém da mentira, versa pela frente
Além-era estabelece verdade
Num discurso comovente.
Delineia 'metafísica'; envolve a gente

Mas que no ranço da incerteza
Quebra amargamente
Feito a estrutura da poesia cá presente
Aspirante à concretismo, mas horrenda à mente

[Olhos esbugalhados face à plêiade de poetas

Na evolvente, que poesia presente se tritura
Chora, envolvente
Eis (novamente) o abismo entre
Poesia e filosofia.
Eis (novamente) o fim da forma
Que forte ainda esquadrinha o fervor pela compreensão.
Compreensão da empresa humana, evidente.

sans soleil

Em derredor, as arribações, e aglutinados pezunham os personagens mais coadjuvantes, afinal o ser humano, ali, é somente um acessório no enredo que pertence à seca só e exclusivamente.
Da barbela escorrem gotas de um suor diferente: não é aquele de raiva da reiúna que esmaga os calejados pés frente à família, pondo um barbicacho no dito-cujo. É um suor diferente.
O Sol parece não processar qualquer possibilidade de entretecimento com o horizonte, mas dos quengos dos errantes muito gosta. Queima cabelos, tosta pensamentos – que já estão imensamente dispersos – e impera soberano.
Ainda vivos, mas se quer com traços de viço, vêem as janelas andarem, faces se transporem numa ordem ilógica, afinal umas vão, outras vêm, e a minha face, inclusive, ali está a observar os retirantes.
Enfim, chegam à cidade dois adultos, o caçula e um de meia-idade, e finda a epopéia, inicia-se outra jornada. É força que passem por mais uma aprovação, psicológica agora. Chamamos, normalmente, de prejulgamento.

domingo, 26 de dezembro de 2010

sobre intolerância e reciprocidade

- Dois quilos de carne, por favor.
- Passou um pouco. Tudo bem ?
- Deixe, que depois eu dou pros cachorros.
- Você pode dar pro capeta.

Eis um exemplo onde a hipótese da primeira se converte na tese da segunda ou vice-versa

complemento audiovisual

homem'goísta

Um homem... pousou... solo... na Lua
Um homem posou na Lua, solo

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

cerração fúcsia - tributo ao desconhecido e ininteligível

Depois [...] de tragar as 17 pétalas de Braiônia eis que surge dos mais milhões de espectros o nosso e seu abismo fractal, e extasiado uivou S/A ao mundo constelar: soy joy mieu, meu somentey.
CRASH! Boom Boom.
Alerdeei sob o cenho, a cheiro de losna, da sociedade que pajé Maqui-íntoshi e doze dos samurais de Coca-Cordas do baile dos mutilados que o mundo se diluía em fumaça, na-não-existência e na viagem dos que fumam Hobbes, dos que fumam cannabis e dos que além-eras fumam-oram pro nóbis.
Daí tudo se desregulou, cá estou no céu da rua, na cama da vida, no palco dos showmícios, passeatas oposicionistas, festas juni e julinas, procissões e cortejos mais. Estou tentando viver e me descobrir, mas descobri que me descobrir não mais é tão espetacular quanto outras cousas que não mesmo sei formalizar e verbalizar de forma protocolar. Sumo na suma da cerração fúcsia, e que reine sempre soberana a paz pax, aquela que cerceamos quando do contrato social e do tempo de que ceifamos a liberdade natural, e estigmatizamos as maçãs de Rousseau.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

ainda resta infinda esperança

Num tom melancólico e despercebido, quase num solilóquio, esbraveja a chuva denegrida em abafados rumores de desdém.
Essa chuva que varre o planeta carrega tristes os olhos, confusa e inimaginavelmente diluidos em água. Trás consigo o desamor com que regamos uns aos outros, tal qual pesticidas em plantações de pé-de-que. A quem queremos destruir?
Mas a chuva é sábia e mais que triste. Sugere a algarvia um mergulho, profundo, em suas brandas águas, das mais diversas.
- vamos numa viagem ao fundo do meu infindo oceano d'águas. Precisamos todos, afinal, dum esquecimento dest'mundo.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

jigsaw do homem que tem de seu

O homem que tem de seu tem o mundo
Não meu mundo e provavelmente nem o seu.
Mas por ter de seu terá o mundo
O mundo dos inocentes, que compartilhamos.

Mas o homem que tem de seu tem o mundo
À medida das suas poéticas sílabas
Que se perdem na escansão.

telescópios sofisticados perscrutam o céu

Telescópios sofisticadíssimos perscrutam a vida alheia.
Telescópios sapientes varrem as mentes cósmicas da gen-tê.
E se me permite quebrar novamente a métrica dormente
Eis que lhe sobra o protocolo meu da gente, eu, telescópio pungente.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

séquito de eunucos

Pomposo é o séquito de eunucos.
Folgantes as madamas que bradam Eiça!
Desnuda sempre o foi a realiza
Despida de razão.

Mas, que em vosso coração
Peleja e hesita, eunuco?
E vós, eunuco?

Pomposo é o séquito de eunucos.
De nobre mesmo vossa humildade
De nobre somente vossa vaidade
Sublime o é vossa farsa.

Mas haverá mister
O dia em que eunucos
Se lançaram em diatribe magna.

diminuto homúnculo flexível

Cessa o teu canto,
No canto da casa:
Da casa de cotovia.

Do chão à psicografia.
Quão pequeno meu mundo
Que eu rio em prantos.

Cessa o teu canto,
Que eu rio em prantos.

No canto da casa:
Quão pequeno meu mundo

Da casa de cotovia
Do chão à psicografia.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

no lusco-fusco do pensamento

No lusco-fusco do pensamento, entre os matemáticos mais geometricamente irresolutos, e entre os filósofos mais erroneamente concretos, trafegamos minh'alma, meu cérebro e meu tubo digestivo. Fui por dentre eles, dentro da minha mente, tragando as palavras que aos poucos muito adentravam aos meus pensamentos. Elas me violam, e o resultado disto é um desfile meu dos meus próprios pensamentos, oriundos daquelas palavras, que agora também navegam por entre os corretíssimos matemáticos e os amabilíssimos e admirados filósofos, e umas poucas almas, cérebros e tubos digestivos.
Tudo que a mim sobra é o círculo: vazio das verdades e num caos de tantas referências.
Destarte, tudo recomeça, em novos termos.

resposta ao sofista cético quanto à minha razão

E se não fosse só amor e respeito que não pudesse haver, mas, ao contrário, houvesse perversão, desprezo, repugnância .. E então?
Até onde me é rentável o casuísmo?
Até onde me alienar será o suficiente e benéfico?
Eis onde entra, dentre outras coisas, a razão.

divagar lento, lendo

Extasiado me encontro agora, e resoluto a lhe dizer que em nada resolveu nossa prosa. Bivalente prosa. E no azo do diálogo, nos sobrou o azar da alternativa que assegura que em nada resolveria nossa prosa. Bivalente diálogo.
Mas me torno ao espelho agora e infindas incertezas me retornam. Lembro-me como rapazola de que o desejo nosso, de resolver algo, nos humilha nas duas possiveis possibilidades: realização e não-realização. O último é evidente. O primeiro, no entanto, é que entorta.
Vejo, somente agora, à luz das lembranças de rapazola, que a irresolução nossa é uma benevolente benesse da natureza. Essa irresolução nossa é nossa mas num é irresolução de todo: é mais um mecanismo de defesa, a incerteza.

deus e o racional diabo na terra do inconsciente

Dobra facilmente a esquina o malandro. Esperto o malandro.
Senta-se à mesa consigo [um segundo Ele] e comigo.
Pede uma cachaça e encara, decidido.
Rompante, num átimo, me lançou, o malandro, um desafio:

se fordes uma boa pessoa em terra e nos fins do vosso tempo
descobrirdes que deus não existe, que perdereis? Que perdereis, uma feita que não podes ter consciência de que perdestes?

por outro lado, e se você gastar 80 anos da sua vida epicurista e, quando da sua morte, descobrir que lá está Deus, esperando-te?
Que tem a dizer, caro?



- Não sei. Temo

norte europeu 60 mil anos atrás

Que escuridão!
Que incerteza...
Que letargia profunda.
Quiçá pensava meu semelhante na própria consciência.
Quiçá, pois será que detinha de razão sobre si próprio?
Europeu nórdico, há 60 mil anos atrás! Nas escuridões profundas da mente e do meio físico. Nas escuridões do ser e da Terra. Natureza se quiser.
Explicado, pois, o medo que transcende, a incerteza que não se perpetua mas simplesmente é.
Europeu nórdico, há 60 mil anos atrás!

domingo, 19 de dezembro de 2010

homemxmulher [?]

Sentado me encontro, numa cadeira negra, num cômodo branco imaculado, sob um andrajo talqualmente negro, cômodo e chorando.
Choro ora pela solitude ora pelo vácuo entre nós: vós mulher, eu homem.
Sinto por vezes que há um quê de inveja meu em vossa sublime e lhana ascensão. Tão merecida ascensão. Mas é uma inveja motivada culturalmente. Perdoe-me pela sinceridade e me perdoe também pelo sentimento vil.
Há uma fenda tão enorme entre nós que me impele numa letargia, e por conta dela é que me confundo em palavras. Por conta dela.

Antonioni mestre






de um vazio entretecedor e estremecedor, à Luz da modernidade e quiçá consciência

reverência #2

Na praia de coisas brancas
abrem-se às ondas cativas
conchas brancas, coxas brancas
águas-vivas

Aos mergulhares do bando
afloram perspectivas
redondas, se aglutinando
volitivas

E as ondas de pontas roxas
vão e vêm, verdes e esquivas
vagabundas, como frouxas
entre vivas!

Vini de Moraes

parvo e parnaso

De um plano elevado filmo-te. Você e aquele um, desprezíveis à minha lente.
De um plano elevado filmo-te porque um: pouco tenho a fazer; dois: elevado o plano é o mais pertinente.
Na real, você nunca sabe nada, permanece irresoluta e parece mais objeto. Sujeito, não. Jamais. Objeto.
Sua incomunicabilidade me destrói. Sim, ligo pra você porque num átimo decidi contigo perdurar, nem que seja perdulária, tal vida. Essa nossa vida.
É, tens razão. Você somente é um reflexo dessa nossa vida. Minha lente não captou.
[suspiro]... desta forma, que chata tu és. Vida

reverência #1

There was a time when my world was filled with darkness, darkness, darkness.
And I stopped dreaming now I'm supposed to fill it up with something, something, something.
In your eyes I see the eyes of somebody I knew before long, long, long ago
But I'm still trying to make my mind up
Am I free or am I tied up?
#
I change shapes just to hide in this place but I'm still, I'm still an animal
Nobody knows it but me when I slip, when I slip
I'm still an animal.

brasil delgado { carta a Joãos e Silvas

Traga-me em um punho uma porção de simplicidade, e é pra outra mão estar livre para no buraco entrar, a taramela puxar, atravessar o copiar, alpendre adentro e me entregar. Simples assim. Estou no fim, ladeando a cadela que ladra à capela, estou a açulá-la, cadela ruça, russa.
Frente à capela há muitos tijupás, a terra do Paul, e por lá passa meu-boi-bumbá. E viva os Palauás flex no terraço. Estou a me esconder do frontispício. Beijos, femme du chocolat. Viva ainda à globalização [no passe entre parnaso e político]

idiossincrasias

Horkheimer: a sociedade é por demais vil.
Jota: de fato o é.
Adorno: há de se dizer ainda do efeito da ind. cultural sobre o problema tal.
Sartre: aaah, sim... falta autenticidade. Essência não mais é essência.
Beauvoir: realmente ...
Jota: pois é.
Benjamim: aonde vamos com esse diálogo?!
Jota: estou pensando.
Horkheimer: já dei o tema.
Sartre: estou pensando também.

prosa seleta

Barbicacho apertado, gibão, guarda-peito, esporas com áureas rosetas, botinas de vaqueta, calça de brim, socialista, capa nas costas. Estou pronto para apear do cavalo aqui.
Pretendo, agora, sonhar gostoso, aqui, sob as baraúnas, catingueiras, imburanas, sucupiras, aroeiras, com o cheirinho de losna, cama de lastro, vida de vaqueiro, sonho denso, pesado, sonho de cidade grande, esnobe, provinciano.
Amo o sertão, e um forte abraço aos meus avós e ao Graciliano Ramos.

canoa movida a mesmo

Balouça o lixo, a bolsa, balouça a minha mente e transborda a minha louça, e lá embaixo pezunham os carros e buzinam os homens.
De fato sinto falta daquela minha liberdade natural que nunca tive, e não suporto mais estas faces triste. São sempre as mesma faces, e quando você está triste tudo o é. Pior.
Mas se correr o bicho pega, se ficar ... num sei não. Atenção!

arqui-teto

Umas poucas imagens são necessárias. Pois bem;

# uma parede imensa, branca;

# uma lata de lixo rente à parede e roçando o rapaz;

# um rapaz em frente à parede, de forma a não enxergar
além da branquidade. Esse rapaz podemos ser você ou eu;

Enfim, arrolado todo o material. Estou pronto a iniciar o banzé.
O nome da obra é "O elefante", sua explicação ofende e sua originalidade se perdeu a muito.
A representação faz alusão à alienação, de forma que quanto maior o problema e maior nossa proximidade dele, menor nosso viés crítico cujo desejo-mor finda na resolução do problema tal.
A lata de lixo é desnecessária, e a explicação, novamente, vexatória. Ofende, pois.

trecho da carta enviada ao ragazzo

Jovem aprendiz, o mundo está diferente. Vem a calhar que tu saias já da minha frente. Não mais há espaço pra ti. Você deve ficar aí neste mundo norteado por pai e mãe, e deve aceitar a verdade que deles vem, porque se vem, muito há de se esperar deles. Eu sei que há.
Uma feita que o mundo está diferente, repito, você deve coexistir com pai e mãe, e me dar vazão a esse cortiço donde se ver e não enxerga os conluios demasiados, e donde se faz moucos os ouvidos em nome de abstrações levianamente grotescas. O dinheiro é uma delas.
Você, ragazzo, é o que de mais importante há dentre minhas remanescentes imagens de um mundo pueril e meu. Você é minha parte que viveu e o fará até o fim dos nossos [meu e vosso] tempos.

quimera #14

Faz-se mister, neste primeiro momento, delinear de forma protocolar o que me vem a ser a verdade dum pensamento isolado: se meus olhos fotografassem, seria eu colecionador das veleidades da raça minha. Seria eu homem triste; a vida, enfadonha.
Não é possível que se fixe na memória o presente cotidiano abodegado tal como está. Antonioni é mais concreto com sua incomunicabilidade do que a própria, de carne e osso e teoria. A incomunicabilidade.
Eureca! Falta existência, é claro [...]

sábado, 18 de dezembro de 2010