Num tom melancólico e despercebido, quase num solilóquio, esbraveja a chuva denegrida em abafados rumores de desdém.
Essa chuva que varre o planeta carrega tristes os olhos, confusa e inimaginavelmente diluidos em água. Trás consigo o desamor com que regamos uns aos outros, tal qual pesticidas em plantações de pé-de-que. A quem queremos destruir?
Mas a chuva é sábia e mais que triste. Sugere a algarvia um mergulho, profundo, em suas brandas águas, das mais diversas.
- vamos numa viagem ao fundo do meu infindo oceano d'águas. Precisamos todos, afinal, dum esquecimento dest'mundo.
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